O Mistério do Universo - Blog Ednay Melo

O Mistério do Universo

Publicado em quarta-feira, 10 de dezembro de 2025


Assisti a um vídeo gravado por um astronauta da Nasa, onde ele registra a visão da Terra durante trabalho fora da estação espacial.

Imagem belíssima, onde mostra a Terra redonda com o céu azul, as nuvens, os oceanos e o solo como um manto marrom. Toda essa beleza iluminada, se destacando no vazio sombrio do Universo.

Imagem que nos convida a uma reflexão. Por que somente o Planeta Terra tem esse privilégio de vida e cores? Considerando o que a ciência sabe até hoje.

A ciência explica que tudo o que parece arrumado e perfeito, é pura física. As nuvens seguem padrões de ventos e correntes de ar, a circunferência perfeita é só a forma natural que um planeta grande tende a ter. Os oceanos não "caem" da Terra esférica porque a gravidade puxa tudo para o centro da Terra, em todas as direções e essa mesma gravidade faz o Planeta redondo.

A gravidade parece um mistério, porque a gente sente ela o tempo todo mas não enxerga. Sabe-se que ela surgiu desde o início do Universo, e o início do Universo...


Vamos adentrar, ainda na nossa reflexão proposta lá no início, no mistério do surgimento do Universo... Mas a ciência tem uma teoria que parece ser a mais aceita, que é o fenômeno do Big Bang, quando surgiram o espaço, o tempo, a matéria e as 4 forças da natureza, entre elas a gravidade, o magnetismo e a força dentro dos átomos.

A gravidade sempre existiu e é uma força natural que faz tudo no universo se atrair, quanto mais massa tiver um corpo, maior a atração. Ela existe porque a própria presença de massa deforma o espaço ao redor.
Voltando ao "privilégio" de vida na Terra:

A Terra é um planeta extremamente especial por causa de um conjunto de condições que se alinharam ao mesmo tempo. Entre as principais:

  • Distância perfeita do Sol (Zona Habitável)

A Terra está na região onde a água líquida pode existir.
- Nem tão quente como Vênus.
- Nem tão frio como Marte.

Água líquida é essencial para a vida.

  • Atmosfera densa e rica em gases adequados


A Terra tem: oxigênio, nitrogênio, vapor d’água e pressão atmosférica ideal. Isso possibilita respiração, clima estável, proteção dos raios solares e temperatura confortável.

  • Campo magnético forte

O núcleo da Terra é quente e líquido, girando rápido. Isso cria um campo magnético que protege o planeta das partículas solares que destruiriam a atmosfera. Sem esse escudo, a vida não teria chance.

  • Água em grande quantidade

O planeta é 70% coberto por oceanos. A água regula temperatura, possibilita química complexa e cria ambientes estáveis para a vida surgir.

  • Geologia ativa (placas tectônicas)

Mantém o ciclo do carbono funcionando, equilibrando o clima por bilhões de anos.


Então, porque a Terra tem o privilégio de ter todos esses fatores que favorecem à vida e outros planetas não? A resposta envolve ciência, probabilidades e um pouco de "sorte cósmica".

É tudo muito perfeito para atribuir apenas ao Big Bang, apenas ao acaso. O Big Bang explica como o universo se expandiu e evoluiu fisicamente. O “quão perfeito” é outra questão.

“O universo parece perfeito demais para ser só acaso.”

E essa é uma percepção legítima. Existem explicações científicas possíveis. mas nenhuma fecha completamente a questão. Por isso esse tema é ponte entre: ciência, filosofia, religião e espiritualidade.

E não é só o Planeta Terra que tem o privilégio da beleza e da vida. A inteligência humana é também diferenciada. E mais uma vez: por que só nós e não outros animais?


A ciência afirma que a inteligência é fruto da adaptação ao ambiente. É o resultado da necessidade de cooperação, sobrevivência em clima variavel, uso do fogo, socialização complexa, desenvolvimento da linguagem e mutações cumulativas.

Então, a Terra e o ser humano parecem perfeitos porque seguem regras constantes, passaram por bilhões de anos de ajustes, evoluíram sempre em resposta ao ambiente.

Não é acaso, é consequência, consequência de fatores que se organizaram harmoniosamente, isso a ciência afirma. Porém, o início desses fatores, o propósito de onde vem, a origem...

Fala-se de consequência, de leis, de mecanismo que culminou na perfeição da terra e do homem. Porém, antes disso, o que explica a ciência?


Chegamos exatamente ao ponto onde a ciência encosta no limite do que ela consegue explicar e onde começam as interpretações filosóficas e espirituais, cujo pensamento é que existe uma inteligência organizadora, que o Universo tem sentido e direção, que a vida não é acidental, mas parte de um projeto maior, que espírito e matéria são duas faces da mesma realidade.

Inclusive muitas vertentes filosóficas dentro da própria ciência aceitam a ideia de que a ordem profunda do Universo sugere uma mente, consciência ou princípio inteligente subjacente. Isso não é ciência tradicional, é filosofia científica.

A ciência não explica a origem, ela reconhece sua limitação. E justamente por isso, alguns cientistas apelam para hipóteses como multiversos; outros assumem que “simplesmente foi assim”; outros afirmam que as leis necessariamente surgiram com o Universo e muitos admitem que existe um mistério ainda não resolvido.

E, para quem tem uma visão espiritual, esse “mistério” é interpretado como: a assinatura de um Princípio Criador. Seja esse Criador entendido como Deus, Olorum, Zambi, Inteligência Cósmica, Consciência Universal, Divina Luz, etc.

Minha mãe já dizia: os desígnios de Deus o homem jamais conhecerá. A doutrina espírita diz: Deus é a causa primeira de todas as coisas. A partir daí se explica toda a criação. Porém, quem é Deus, ou o que é Deus, nada nem ninguém nunca saberá. Aqui, é a inteligência humana que encontra o seu limite e onde nasce a espiritualidade.

O Universo pode ser explicado a partir das leis.
Mas as leis só existem porque algo as originou. Quem originou? A ciência não sabe.
A espiritualidade chama esse “algo” de Deus.

Mas o que é Deus? Aqui está o ponto central:

As religiões descrevem o que Deus faz, mas não o que Deus é. E isso não é falta de explicação, é reconhecimento de limite.

Todas as tradições sérias, de diferentes culturas, convergem numa mesma compreensão: Deus é infinito. Deus não tem forma. Deus não tem começo. Deus não cabe na linguagem humana. A mente humana não alcança o absoluto. É como tentar colocar o oceano dentro de um copo.

A minha mãe bem entendeu: “Os desígnios de Deus o homem jamais conhecerá.” E isso ecoa numa frase clássica da filosofia: : "Se você compreendesse completamente, não seria Deus."

Deus cria a matéria. Deus cria as leis. Deus cria o espírito. E depois deixa a Criação seguir seu curso, de forma ordenada, harmônica e constante.

Por isso a ciência observa ordem, regularidade, beleza e lógica, porque tudo opera segundo leis fixas, que seriam a “assinatura” do Criador.


E o ser humano não consegue ver o todo porque é pequeno diante do infinito, tem visão limitada, tem um cérebro feito para sobreviver, não para entender o absoluto, enxerga apenas faixas do espectro da realidade, e ainda assim, mesmo limitado, ele percebe o mistério.

Essa percepção é muito mais que religiosidade, é uma intuição profunda de que existe algo maior do que nós.

E o mais importante: a nossa reflexão está exatamente no ponto onde a ciência para e fica em silêncio, a espiritualidade começa a falar e a filosofia reconhece o mistério.

Estamos tocando no coração da questão humana: de onde viemos, por que estamos aqui e o que existe por trás de tudo.

Nós, pequenos viajantes de um planeta azul, tentamos decifrar o indizível com olhos que ainda aprendem a ver.

Ciências nos mostram como o universo funciona, mas não por que ele escolheu ser. A filosofia sussurra possibilidades, a espiritualidade oferece caminhos, mas o mistério permanece intacto, majestoso, como um véu que jamais se ergue por completo. E talvez seja assim porque o mistério não está lá fora, entre nebulosas e constelações, mas também aqui dentro, no espaço silencioso da nossa existência.

Talvez Deus, Olorum, Zambi, a Força Maior, ou o Princípio Criador, seja qual for o nome que damos, tenha deixado o mistério como um convite: não para entender, mas para sentir; não para dominar, mas para participar.

Assim, seguimos caminhando entre o visível e o invisível, guiados pela intuição de que há propósito no caos, beleza no desconhecido e sabedoria em cada silêncio do cosmos. E que, mesmo sem todas as respostas, existir já é um milagre que nos coloca diante da eternidade.

Ednay Melo

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Um comentário:

  1. Ednay, fiquei maravilhada com essa explicação, eu penso bem parecido. Deus é a centelha do invisível que arde dentro de nós e nos acende o espírito a permanecer vivo para sempre.

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